A importância da Responsabilidade Social

A digitalização e a internet vieram trazer um maior acesso e partilha de informação não só pelas empresas como também pelos consumidores. Por um lado, esta oportunidade trouxe uma maior possibilidade de comunicação B2C e, por outro lado, faz com que os consumidores estejam mais informados e, consequentemente, mais exigentes com o que escolhem.

Numa altura em que, e segundo a Global Footprint Network, a humanidade usa o equivalente a 1,6 planetas Terra, existem ações e temas que são cada vez mais importantes não só para o ambiente interno das organizações como também para o ambiente que as envolve.

Um exemplo de uma temática atual e crucial em várias áreas é a Responsabilidade Social: mas o que é? Qual a sua importância? Está relacionada com o desenvolvimento sustentável? Neste artigo pode ficar a conhecer tudo.

O que é a Responsabilidade Social?

Apesar de ser um conceito que pode ter várias definições, a Comissão Europeia no seu Livro Verde define a Responsabilidade Social das empresas como “(…) a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais por parte das empresas nas suas operações e na sua interacção com outras partes interessadas.”.

Esta instituição europeia defende ainda que para uma empresa ser socialmente responsável não é suficiente cumprir as normas legais pois também deve investir ao nível dos colaboradores, ambiente e relações com partes interessadas. Este facto “(…) possibilita igualmente uma melhor gestão da mudança e a conciliação entre o desenvolvimento social e uma competitividade reforçada.”

Deste modo, ao adotar a Responsabilidade Social as empresas não olham apenas para os seus interesses, mas também para os interesses dos seus colaboradores, parceiros, concorrentes e para a sociedade em geral. Tendo por base este ponto, a Responsabilidade Social tem, assim, duas vertentes: a externa e a interna.

Responsabilidade Social interna

De acordo com o Livro Verde, fazem parte da dimensão interna as práticas social e ambientalmente responsáveis que podem influenciar internamente os resultados ou o trabalho da empresa. Entre as quais:

  • Gestão dos recursos humanos;
  • Saúde e segurança no trabalho;
  • Gestão do impacto ambiental e dos recursos naturais do Planeta;
  • Adaptação à mudança.

Responsabilidade Social externa

Por outro lado, a sua vertente externa vai para além das paredes que formam o espaço e a casa de uma instituição. Isto significa que diz respeito a várias esferas da sociedade e a vários agentes a nível mundial, pois estamos num tempo de globalização e digitalização que dão a sensação que as fronteiras não existem. Ou seja, a Responsabilidade Social externa deve ter em conta:

  • Direitos humanos;
  • Comunidades locais;
  • Parceiros comerciais, consumidores e fornecedores;
  • Preocupações ambientais a um nível global.

E qual é a sua importância?

Numa altura em que as marcas e as empresas estão a ser cada vez mais confrontadas com a digitalização e, consequentemente, mais competitividade entre si, importa falar das gerações mais jovens.

De acordo com um estudo da Nielsen de 2015, os Millennials (nascidos entre 1980 e 1996), estão dispostos a pagar mais por escolhas mais sustentáveis. A geração que lhe sucede, a geração Z, também defende que prefere pagar mais por produtos e serviços de empresas socialmente responsáveis com uma percentagem de 72%.

A Business Insider também realizou um estudo para tentar perceber quais são as práticas mais sustentáveis para um grupo de Millennials americanos aquando da compra de um produto: cerca de 21% referiu a Responsabilidade Social e a maioria respondeu que tem em conta se o produto é sustentável.

Deste modo, o impacto da Responsabilidade Social já se começa a fazer sentir junto das gerações mais jovens – que são o futuro. Para além destas crescentes preocupações e expetativas dos consumidores, vários são os outros fatores que a Comissão Europeia revela que motivam esta adoção da Responsabilidade Social:

  • Critérios sociais que influenciam as decisões individuais e institucionais;
  • Preocupação com as consequências das atividades económicas no meio ambiente;
  • Transparência gerada nas atividades das empresa pelos media e pelos meios digitais.

O Instituto de Marketing Research defende que o foco das empresas deixou de ser puramente económico pois a Responsabilidade social pode ter várias vantagens para todas as partes envolvidas. De forma prática, podem ser estas os benefícios:

  • Amplia o reconhecimento da marca;
  • Permite aumentar o volume de negócios, assim como as vendas e o número de clientes;
  • Melhora as relações com os colaboradores, fornecedores e parceiros;
  • Fornece vantagem sobre as instituições concorrentes;
  • Tem um impacto positivo no mundo e no ambiente.

A Comissão Europeia também defende que “inversamente, as críticas dirigidas à prática de uma empresa poderão, por vezes, ter um efeito negativo sobre a sua reputação, afectando activos fundamentais – as suas marcas e a sua imagem.”.

A Responsabilidade social tem ligação com o desenvolvimento sustentável? Sim!

O facto da Responsabilidade fazer esta ligação entre a parte económica, social e ambiental faz com que o desenvolvimento sustentável seja alvo de atenção para ser implementado por parte das empresas.

“As empresas são agentes disseminadores do Desenvolvimento sustentável e, por outro lado, necessitam de estar em harmonia com as boas práticas de gestão que visem a sustentabilidade.”, salienta Andreia Fontes na sua Dissertação sobre “Responsabilidade Social das Empresas: Realidade ou Utopia”.

Esta dimensão ambiental ganha cada vez mais importância não só pela preservação dos recursos finitos e diminuição do impacto da sua utilização e transformação como também pela preservação de um planeta saudável para as gerações futuras.

Andreia Fontes diz que “a interiorização dos conceitos de ambiente e de sustentabilidade nas empresas é efectuada através da implementação e comunicação da política de ambiente a todos os seus colaboradores e através da inclusão de medidas de protecção ambiental nos seus planos e orçamentos.”



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